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A importância de pedir desculpas ao filho

A importância de pedir desculpas ao filho

É comum que os pais, por vezes, fiquem nervosos com as crianças, fazendo críticas, levantando a voz e falando de maneira um pouco alterada. Na pandemia, então, com as medidas de isolamento social e a família inteira dentro de casa – muitas vezes, em condição estressante, tanto emocional quanto financeiramente – situações como essa podem ter se tornado mais frequentes. E embora seja considerado algo normal – dentro de determinados parâmetros –, especialistas ressaltam que é importante reconhecer os exageros e pedir perdão ao filhos quando a maneira de falar com eles e o descontrole for muito grande.

Recentemente, o jornal The New York Times publicou duas reportagens destacando a importância de se desculpar com as crianças. “Todos os pais criticam os filhos, é um fato da vida”, diz Pooja Lakshmin, professora assistente de psiquiatria na Escola de Medicina da Universidade George Washington, nos EUA, em entrevista para o veículo americano. Segundo ela, é inevitável que os adultos ergam a voz ou fiquem irritados com as crianças algumas vezes, pois eles são humanos. Ela faz a ressalva, porém, de que esse comportamento não se refere a abuso emocional – como ridicularizar a criança, criticar constantemente ou negar afeto – ou violência física, os quais não são aceitáveis em nenhuma hipótese.

Jennie Hudson, professora de psicologia clínica na Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, também se mostra compreensiva aos comportamentos um pouco mais exacerbados dos pais e critica o que ela chama de “positividade tóxica”. “Existe esse tipo de expectativa de que crianças devem ser protegidas de sentir qualquer sentimento negativo", relata. O que para ela não é indicado. "Nós temos muitas emoções, incluindo frustração, ansiedade e preocupação”, complementa.

O mais importante, contudo, segundo os especialistas, é o que acontece depois de brigar ou criticar os filhos. Em outra matéria para o The New York Times, Jeremy Ruckstaetter, professor orientador no Seminário Teológico Covenant, nos EUA, apontou que as crianças podem aprender muito quando os pais pedem perdão para elas. Para o seu doutorado, ele entrevistou 327 pais e descobriu que aqueles que têm o costume de pedir desculpas aos filhos regularmente desenvolvem laços mais fortes com os pequenos. O que não quer dizer que as crianças não terão limites. A seguir, confira as recomendações de especialistas para voltar atrás e ter mais empatia com os filhos.

Aceitar e reconhecer o erro

Segundo Ruckstaetter, pedir desculpas é difícil, mas se os pais machucaram os filhos com as palavras ou ações, eles não devem ignorar os sentimentos das crianças. “Aceite a culpa e diga: eu estava errado”, diz o professor. Ele reforçou que isso não significa que os pais não devem impor nenhum limite às crianças. Porém, é preciso atentar-se ao modo como agem quando dão bronca nos pequenos. Se os adultos tiverem comportamentos muito nervosos e descontrolados, é preciso se acalmar e se desculpar. De acordo com Ruckstaetter, os pais não devem assumir que a criança é nova demais para entender. Pesquisadores descobriram que, aos três anos de idade, ela consegue compreender a moralidade e reconhecer um perdão digno. Ao pedir desculpas aos filhos, todos se sentem melhor.

Tirar um tempo para si mesmo

“Se você está tão sobrecarregado que não consegue pensar sobre o que é apropriado para o desenvolvimento da criança, dê um tempo a si mesmo”, diz dra. Alexandra Sacks, psiquiatra reprodutiva baseada em Nova Iorque. Mesmo que não seja sempre possível, especialmente quando as crianças são muito pequenas e não podem ficar sozinhas, a especialista recomenda que os pais tentem encontrar uma forma de ligar para amigos ou até gritar em um travesseiro para aliviar a sobrecarga emocional. 

Ajudar as crianças a lidar com a impulsividade

Especialmente durante o isolamento social, como os pais e filhos passam mais tempo dentro de casa, as crianças podem ter mais dificuldade em controlar o impulso de ficar junto com os adultos, o que pode acabar atrapalhando a rotina de trabalho. A dra. Sacks sugeriu que fosse colocado um aviso na porta quando os pais não querem que os filhos entrem no ambiente em que estão trabalhando. Segundo a psiquiatra, utilizar recursos visuais pode contribuir para que as crianças lembrem que os pais não querem ser incomodados e resistam a abrir a porta. Outra dica é usar um cronômetro, de acordo com a dra. Alexa Mieses Malchuk, médica familiar e professora assistente da Escola de Medicina da Universidade da Carolina do Norte. Caso a criança ache irresistível interromper os pais, ela sugeriu programar um cronômetro para 30 minutos. Isso pode ajudar a atrasar a entrada dela no cômodo e até fazer com que a vontade passe.

Procurar ajuda externa

Se as broncas e críticas ao filho são muito frequentes, a dra. Sacks recomendou que os pais procurem ajuda. Exceto em situações em que não é possível, caso os adultos estejam muito irritados o tempo todo e atacando os filhos constantemente, a psiquiatra afirma que eles precisam encontrar um apoio externo para aliviar as tensões. Este suporte adicional pode ser alguém para ajudar a cuidar do filho ou ver um terapeuta.

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