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- 03/02/2020

Comunicação Não-violenta

“A não-violência significa permitirmos que venha à tona aquilo que existe de positivo em nós e que sejamos dominados pelo amor, respeito, compreensão, gratidão, compaixão e preocupação com os outros em vez de sermos pelas atitudes egocêntricas, egoístas, gananciosas, odientas, preconceituosas, suspeitosas e agressivas que costumam dominar nosso pensamento. (…) O mundo em que vivemos é aquilo que fazemos dele” – Arun Gandhi (neto de Gandhi e fundador do Instituto Gandhi pela Não-violência)

Desde que a humanidade passou a existir, os seres humanos passaram a interagir entre si e foram, a partir de então, criando códigos(gestos, expressões, formas, desenhos…) até chegarem  à linguagem oral. Todo esse processo marcado pelo desenvolvimento do cérebro e, consequentemente, da inteligência, nos trouxe aonde estamos hoje.

É certo que estamos imersos nas questões da comunicação e, diariamente, presenciamos na vida pública como os “ruídos ou falhas” dela têm influenciado decisões ao redor do mundo. No entanto, essas questões nos levam para outras, acerca de nós mesmos. Como tem sido nossa comunicação  no trabalho, em casa, com os vizinhos, com os nossos filhos…? Estamos estabelecendo relações de parceria e cooperação, em que predomina a comunicação eficaz, empática e construtiva? 

Esse post é exatamente um convite para essa reflexão! Vamos lá…

Mas será que a violência é só agressão física?

Vivemos sempre cercados por pessoas. Passamos mais da metade do tempo nos comunicando e nos relacionando com pessoas diferentes, com interesses e necessidades diferentes. Mas se pararmos para pensar, quando e como foi que aprendemos a nos relacionar ou nos comunicar com o outro?  

Pois é, exatamente por não lidarmos com os relacionamentos como algo que se aprende, que a gente demora a se dar conta de que pode ser ou estar sendo violento na comunicação. É comum entendermos que a violência está ligada à agressão física, afinal, aprendemos que bater no coleguinha é feio, machuca, é violento! Mas não nos contam que a violência pode estar num gesto, em um grito ou até mesmo numa palavra sussurrada!

O fato é que a todo momento decidimos como usar nossas palavras e expressões corporais e essas escolhas determinam as relações que estabelecemos com nossos companheiros, filhos, amigos e colegas de trabalho.

Como podemos construir uma comunicação mais clara e empática

Prestar atenção em como estamos falando com os outros já é um exercício que nos traz um alerta, estarmos conscientes do conteúdo e da forma que estamos utilizando para nos expressarmos, nos possibilita assumirmos o controle de nossas emoções e nos ajuda a criar novas formas de comunicação. Em resumo, a dica aqui é sair do modo automático! Estar atento ao que se diz e como se diz. 

Existe uma citação muito boa rondando a internet há algum tempo, e fico muito feliz por isso, ela diz o seguinte:

“Antes de dizer algo, pense…

Isso é verdade?

Isso é útil?

Isso inspira alguém?

Isso é necessário?

Isso é gentil?”

Se você tiver algum NÃO para esses questionamentos é bem provável que a melhor opção seja mudar o tema da conversa! 

E aproveitando o gancho do não, vou citar um exemplo bem comum de piloto automático que, acredito eu, todos nós usamos, ou pelo menos já usamos alguma vez: normalmente costumamos usar a palavra NÃO para expressar algum pedido, ao que os estudiosos denominam de não-pedido. Por exemplo: “Não quero que grite” é um não-pedido. Seria melhor pedir “que fale num tom mais baixo”.

Quando usamos firmeza com dignidade, gentileza e respeito, logo as crianças aprendem que seu mau comportamento não atinge os resultados que esperam e, assim, são motivadas a mudar de comportamento sem prejuízo para a autoestima.

As crianças e adultos se sentem encorajadas quando percebem que você entende o ponto de vista deles< quando entendem que estão sendo ouvidos com atenção e presença. Quando se sentem compreendidas, se tornam mais abertas a ouvir e a trabalhar na solução de problemas.

Desta forma, a comunicação pressupõe dois passos importantes: falar e ouvir ou ouvir e falar, o que permite uma conexão maior entre as pessoas para que a compaixão possa emergir, mesmo em situações críticas.

Ao conversar sobre qualquer assunto, o que mais idealizamos, sem saber, é criar algum tipo de troca e escuta saudável. Ninguém quer um relacionamento truncado, aflitivo e cheio de problemas.

Assim, a comunicação não violenta tem como objetivo resgatar o que há de mais genuíno nas pessoas: suas emoções, valores e a capacidade de se expressarem com honestidade, ajudando os outros com real empatia – ou seja, mergulhando nas verdadeiras necessidades do outro e não em sua vontade de parecer altruísta.

Nossos sentimentos resultam de como escolhemos escutar os sentimentos e necessidades dos outros.

 

 


Adriana Clemente Gardel

Adriana Clemente Gardel

Colunista do Mundo Cambalhota e co-fundadora do Box Cambalhota.

Há mais de 36 anos na área da educação, Adriana é coordenadora e orientadora educacional do Ensino Fundamental I. Foi professora da Educação Infantil e Ensino Fundamental nas redes pública e particular. Graduada em pedagogia com pós graduação em psicopedagogia sistêmica e neuropsicopedagogia clínica e institucional, pelo Instituto Faces e FACON. KidCoach formada pelo ICIJ (Instituto de Coaching Infanto Juvenil).

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