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- 30/04/2020

Colocar a criança de castigo funciona? Como ensinar limites aos filhos?

No mundo ideal da maternidade, o “sim” e o “não” deveriam ser suficientes para impor limites. Mas será que colocar a criança de castigo funciona? Entenda!

O “cantinho do castigo” já foi muito repercutido em programas de televisão como forma de fazer a criança pensar no que fez de errado. Mas será que colocar a criança de castigo realmente funciona? 

No mundo ideal da maternidade e paternidade, o “sim” e o “não” deveriam ser suficientes para impor limites

Mas, às vezes, os pais e responsáveis sentem falta de uma atitude mais incisiva para reforçar regras ou educar.

No entanto, educar nem sempre é uma tarefa simples. Requer trabalho e paciência por parte dos pais. 

Cabe a eles ensinarem as regras e os limites do convívio social, com calma e segurança.

Um castigo exagerado e aos gritos pode perder sentido e ser mal interpretado pelas crianças, pelo fato de muitas vezes  simplesmente não saberem o que está acontecendo.

Pensando no dilema vivido por muitos pais e responsáveis, que procuram entender se o castigo para crianças é efetivo, preparamos este artigo. Confira as dicas para tornar a relação familiar mais harmoniosa e menos punitiva

Educar não deve ser se de forma autoritária

Aqui na Box nós incentivamos a disciplina positiva. Isso quer dizer que, para educar, não é preciso usar métodos baseados em autoritarismo. 

Felizmente, pais e educadores estão questionando e estudando a cada dia mais sobre outras formas de educar as crianças. Formas que sejam positivas, com afeto, criando relações duradouras.

Afinal, quando educamos utilizando punição, humilhação e autoritarismo – como é o caso de um castigo para crianças – o que conseguimos gerar nas crianças é medo e o distanciamento.

“Muita gente entrega os pontos.” É com essa frase que o filósofo Mario Sergio Cortella toca na ferida de tantas famílias: a disciplina das crianças.

Em seu livro Família: Urgências e Turbulências, o autor afirma que é crescente o número de casais que simplesmente desistem de educar, ou, nas palavras dele, “de fazer o esforço necessário para formar alguém”. 

Portanto, sugerimos que troque o castigo pela construção de uma relação baseada no diálogo.

Primeiramente, é fundamental buscar alternativas amistosas para ensinar as crianças sobre limites e comportamentos adequados para uma boa convivência familiar e social. 

Criança de castigo não é agressão física

A disciplina jamais deve ser sinônimo de agressão física contra o seu filho, nem mesmo naquele momento em que você pensa que não há nada mais a ser feito.

Além de existir uma lei que proíbe a palmada, há estudos que provam consequências negativas dos tapas, beliscões, chineladas, gritos e outras formas de violência corporal e verbal. 

Ao longo dos últimos 50 anos, pesquisadores das Universidades do Texas e de Michigan (EUA) realizaram um estudo com mais de 160 mil crianças e concluíram que, quanto mais elas apanham, mais desafiam os pais, se tornam antissociais, ficam agressivas e podem apresentar problemas cognitivos

Dessa forma, é possível entender que castigo para crianças e a punição física pode não ser melhor caminho para educar e estabelecer conexões familiares.

Devo colocar a criança de castigo? Punir ou não punir?

Ainda são muitos os pais que colocam a criança de castigo para punir um comportamento inadequado a curto prazo.

No entanto, quando o assunto é educar e criar filhos, é necessário que as coisas sejam pensadas a longo prazo.

Colocar a criança de castigo gera uma falsa sensação de resultado, afinal, assim você cessa momentaneamente o conflito.

No entanto, isso pode gerar problemas maiores no futuro. Enquanto você, mamãe, acha que resolveu o problema, pode estar gerando com o castigo uma série de emoções negativas na criança, como: 

  • ressentimento;
  • retaliação;
  • rebeldia;
  • intimidação.

Dessa forma, o castigo para crianças se torna um obstáculo na construção de conexões familiares entre pais e filhos.

Assim sendo, seus filhos podem passar a ter pensamentos rebeldes e magoados, como: “Isso não é justo”, “não posso confiar nos meus pais”, “eles estão ganhando agora, mas eu vou me vingar depois”, “vou mostrar a eles que eu posso fazer o que eu quero.” 

Por outro lado, quando deixamos que as crianças tenham liberdade para participarem e compartilharem o que estão pensando, sentindo e decidindo, elas se sentem responsáveis.

Portanto, usando a disciplina positiva, podemos decidir, junto aos nossos filhos, algumas regras para o benefício mútuo, ou seja, pensar em conjunto na resolução de problemas.

E como utilizar a disciplina positiva ao invés de colocar a criança de castigo?

Ao invés de sair distribuindo punições ou mandar seu filho para o cantinho da disciplina, há outras alternativas mais saudáveis do que colocar a criança de castigo. Citamos algumas:

1. Tudo começa com o diálogo

Vocês, papais, são muito mais importantes no processo de educar do que qualquer cantinho da disciplina.

Assim, se o seu filho se comportar mal, a primeira coisa a fazer é sentar com ele e conversar sobre o que ele estava sentindo no momento.

Vocês devem tentar fazer com que ele entenda os próprios sentimentos para que aprenda a nomear as emoções.

Dizer a ele frases do tipo: “Você está triste porque seu brinquedo quebrou”, “Você está irritado porque quer dormir”, “Você está bravo porque eu não deixei você fazer o que queria”.

Muito mais importante do que fazer a criança pensar sobre um erro, é você ajudá-la a entender o que ela está sentindo.

2. O combinado não sai caro

Uma estratégia muito eficaz para lidar com comportamentos indesejados das crianças são os combinados.

No entanto, saiba que você, adulto, deve dar o exemplo e cumprir sua parte para que os acordos funcionem. 

A mamãe não pode flexibilizar o que foi acordado só porque está ocupada ou com pressa, por exemplo.

Vamos supor que você não quer que ninguém coma na sala: exponha essa regra, explique os motivos e não quebre a norma (as crianças estão sempre atentas!). 

Assim, se um dia ou outro o seu filho se sentar no sofá para almoçar em frente à TV, em vez de gritar, dar bronca ou se descontrolar, tente fazê-lo se lembrar do que foi dito anteriormente, questionando em tom amigável: “Onde é o lugar de comer?”. Assim, ele mesmo irá responder: “Na mesa!”.

3. Resolva o problema

É importante também que vocês, enquanto família, não fiquem focados nas consequências do que aconteceu. 

O mais importante em momentos de conflitos familiares é pensar na solução em conjunto

Dessa forma, tente fazer um acordo com seu filho para corrigir o problema em questão e evitar que ele se repita no futuro.

4. Quando você errar, também peça desculpas

Sentiu que você agiu de forma grosseira ou exagerada diante de uma birra do seu pequeno? Considere pedir desculpas.

Portanto, compartilhe sua parte no erro com seu filho e evite criticar ou culpar. Foque no que você pode aprender com isso. 

É claro que vamos errar muito na vida, então erre e aprenda rápido. Seja específica ao assumir a responsabilidade da sua parte, por exemplo: “Eu gritei com você em vez de dizer o que estava sentindo.” 

Pedir desculpas também é um excelente exemplo. Essa é uma forma de você se reconciliar com seu filho. 

As crianças perdoam facilmente quando você demonstra que está verdadeiramente arrependido, pois elas sentem que é genuíno.

Em resumo, há uma série de ações que você pode tomar ao invés de colocar a criança de castigo. Em suma, busque:

  • Tentar compreender as razões de sua conduta.
  • Explicar por que necessitamos que mudem.
  • Encontrar juntos uma solução para o problema.
  • Buscar tempo para conectar toda a família com as crianças com calma.

Por fim, se precisar de uma forcinha para criar momentos de conexão para a família, educar e entreter os pequenos quando eles estão mais rabugentos, conte com a gente!

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Valéria Rezende

Valéria Rezende

Empresária, mãe, KidCoach e facilitadora da Jornada das Emoções! Trabalha com comportamento infantil e orientação aos pais. Criadora da Box Cambalhota e colunista do Blog Mundo Cambalhota.

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